Clemente Viegas

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caminhos por onde andei

“O PAPEL AGUENTA TUDO”

Nos anos 1960, do Regime Militar, os órgão de Imprensa estavam sob vigília do Poder. A imprensa escrita de esquerda (Jornais e outros), tantas vezes de última hora e até mesmo atrasados da hora, tinham que desfazer, desmontar suas edições.  Era um sofrimento. Um arraso! E então, tantas vezes, para cobrir a lacuna, jornais preenchiam o espaço proibido com RECEITAS DE BOLOS E DOCES e outras guloseimas. 

Em verdade em verdade, era uma outra forma de protesto e tudo isso ao destaque da PRIMEIRA PÁGINA.  E haja escarcéu!!! Ainda assim ...

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REGISTROS DA MENTE

Eu lia extasiado, no jornal, as crônicas de amor e dor do mestre Wady Sauáia que entre outras publicou. As crônicas de Sauáia, de determinado período, ensejaram o livro CENAS QUE FICAM, que eu, seu admirador, já li meia dúzia de vezes, com o desprendimento de quem bebe sedento num oásis,  uma riqueza gramatical de tanta sabedoria e domínio da língua, da linguagem e do fato.  Inspirado no título CENAS QUE FICAM, do pranteado mestre, é que tomo a liberdade do meio-plágio para descrever agora a “CENA QUE FICOU”, que é, em mim, ...

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GAFIEIRA - Os Bailes Daquelas Tardes

Texto que escrevi para o programa CLUBE DA SAUDADE, Rádio Mirante/AM, domingo, oito da manhã, em cadeia com mais de 30 emissoras em todo o Estado do Maranhão,  na minha crônica PÁGINA DE SAUDADE, há 12 anos, no ar. De lembrar que ao fim de cada leitura, há sempre uma ou duas músicas que adaptam-se ao texto.

A mente da gente tanto guarda quando expõe mistérios insondáveis que o homem  - penso eu – jamais será capaz de desvendar essa incrível e indecifrável criação ...

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MEMÓRIAS DA CASA DE ESTUDANTE

Era assim: a casa do estudante, na Rua do Passeio, no Gavião, esquina de Vila Bessa,  lembrava uma grande “colônia”, uma “república”, como se dizia naquele tempo de moradias coletivas. Gente de várias cidades do interior. Tinha até do Ceará e do Piauí. Tudo estudante do segundo grau – Ginásio e científico. Grande parte uns mais pobres do que outros. Alguns empregados. Poucos que recebiam “mesada” dos pais e outros até mesmo dos avós. 

Era visível o estado de pobreza de muitos lá dentro. Mas quando saíam (lá fora) ...

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GRAVADOR: QUEM TE VIU!!! QUEM TE VÊ???

Escrevo, já disse aqui, textos que os envio para a Rádio Mirante /AM, São Luís-MA,  domingos, oito da manhã, programa  CLUBE DA SAUDADE, em cadeia com mais de trinta emissoras em todo o estado (consoante anuncia o programa), no qual eu pego carona, janela e prestígio, faz doze anos (doze anos), com a minha crônica PÁGINA DE SAUDADE.

Na linguagem do rádio, a crônica é um “quadro” dentro do grande programa que vai  das cinco horas às nove horas da manhã e está há trinta anos no ...

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CHINA – O BONITÃO DO PEDAÇO!

Minha pranteada mãe costumava dizer que “quem tem muita manteiga, assa no dedo”. Eu não conseguia entender. E só mais tarde, com as lições da vida, entendi a lição. Tenho alguns textos inéditos e, portanto, “muita manteiga”. E, ainda assim “asso no dedo”, porque ao invés de publicá-los, recorro aos velhos ou surrados alfarrábios.

Um apresentador da Band, numa entrevista com o Cacique Juruna, lembra?, aquele que se destacou por  usar um gravador para tudo, então Deputado Federal pelo Rio de Janeiro, comentou que ...

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A LENDA  DO POÇO DO VIRÔ, NA MINHA TERRA!

Ando doidinho de vontade de voltar à minha terra natal, naqueles capoeirões do meio do mundo e fim do mundo, de onde eu vim. Mas não posso. Estive lá em agosto do ano passado. O inverno lá, estica-se de novembro até aqui, e lá se vão mais de oito meses “encarreados”. E segue firme. De conseguinte não tem estrada de chão por lá. O jeito que tem é esperar. Enquanto isso... vou aqui relembrando uma lenda viva do meu lugar.

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 “CUNSURTA”, quer dizer:  CONSULTA

Anos 50 e mais adiante, por aí assim. E então morávamos todos lá no mato,  longe de tudo e de todos. Ninguém conhecia uma bicicleta, nem luz elétrica, nem geladeira. E só os poucos mais abastados possuíam um rádio. E uma casa de telha?  Quase todos eram analfabetos e viviam de uma roça de sobrevivência, em poucas “tarefas”. O terreiro era de plena pobreza, luta e sofrimento, nas terras onde deixei o umbigo e o chão da minha primeira identidade. Ficar doente ali, era um deus nos acuda! O grande temor de ...

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Clemente Viegas

Viegas, Clemente Barros. (São Clemente papa e mártir). CLEMENTE vem do Almanaque de Bristol, antiga publicação do laboratório farmacêutico. Estudou as primeiras letras na escola da palmatória e dos joelhos ao chão, no sertão. Concluiu o curso primário (na terra natal), no tempo em que a escolaridade era levada a sério. Foi menino de recado e de mandado. Nos cursos Secundário e Técnico no internato da Escola Federal, onde ingressou via do “Exame de Admissão”. Cursou Direito, num tempo em que não havia celular, nem internet, nem FIES, nem as vantagens atuais. Não tinha livros, escrevia em papéis avulsos, taquigrafava as aulas ao verbo dos professores. Morou em casas de estudantes e cortiço, andava a pé, driblou o bonde, poucas roupas, curtiu a “Zona” e jamais dirá que “comeu o pão que o diabo amassou”. Trabalha desde os cinco anos, com intervalo dos onze aos vinte anos. Está na casa dos 73. Não brincou quando criança ou adolescente e na vida adulta tem três brinquedos que os leva a sério: 1 - Escreve a coluna CAMINHOS POR ONDE ANDEI; 2 - Escreve a crônica PÁGINA DE SAUDADE, Rádio Mirante/AM, domingos, há mais de dez anos; 3 - Tem uma “rádio”, com antena de 300 mm de altura, 1.000 a 1500 mm de alcance, com dois ou três ouvintes que, como você vê, “um que pode ser você”. É o rastro e a sombra de si mesmo. É o filho que veio e os pais que se foram. Superou milhares de concorrentes para nascer. É mais um na multidão e considera-se a escrita certa por linhas tortas, na criação do CRIADOR. Cumprimenta os seus interlocutores com votos de “saúde”! E diz aos semelhantes todos os dias que “...a vida continua”. (•) Viegas questiona o social. e-mail: viegas.adv@ig.com.br