Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

O que é que eu queria ser

Manuel Bandeira tem um poema que marcou a existência de muita gente (boa ou não, tanto faz). Nome do poema Pneumotórax. Uma construção poética, de grande intensidade lírica, realizada com uma técnica perfeita, na qual o autor de Libertinagem faz uso do verso livre, recorrendo à harmonia sonora das palavras e dando a elasvigor estético, como se fosse uma sinfonia, para chegar ao epílogo apoteótico dos dois últimos versos: - Então, doutor, não possível tentar o pneumotórax? / - Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino. Além dessa conclusão poética escatológica, o segundo verso ...

leia mais +

Ai que saudades que tenho

Digo, logo: os festejos juninos já fizeram parte do meu calendário de exaltadas pândegas. Festejei a cântaros São João, São Pedro e São Marçal. Todas na sua dimensão e importância milagreira. Não mais o faço, embora continue a considerar um momento essencial para a nossa vida. Do nordestino, principalmente. Os cantos e danças ficam movimentados e alegres bem aqui, pertinho de nós, para o nosso lado. Ainda assim, ultimamente, festejo muito pouca coisa, como data do casamento, alguns aniversários, dia das mães, que se tradicionalizou por força da mídia e da própria mãe, e, embora force a pesquisa ...

leia mais +

Sobre as leis

Ora direi: cumpra as leis! Muitos dirão: não, depende das circunstâncias; outros dirão: certo, não perderei o senso. E ainda acrescenta como argumento do seu absoluto respeito à regra impositiva: a lei foi feita para ser cumprida. Mas existem aqueles que entendem que a lei foi feita para ser violada. O célebre e ainda celebrado Millôr Fernandes chegou a dizer, numa das suas tiradas cáusticas, que “a Justiça, como se sabe, é a busca da Verdade. Ao contrário da Lei, que, como ninguém ignora, é o encobrimento da Mentira”. Lei, Direito e Justiça, essa trilogia que tem servido ...

leia mais +

Poemas e poetas

Em 2006, estive na FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty, evento cultural onde participam artistas da literatura brasileira e mundial. Paraty é uma cidade aprazível. Com ares de uma antiguidade respeitável. Na parte em que se realiza toda a programação da feira, tem suas ruas calçadas de pedras, que exigem de quem se desloca de um lugar para outro muito cuidado no caminhar. Mas é agradável participar dessa extraordinária feira, em que pessoas de quase todas as nacionalidades vão expor e discutir as suas produções literárias e a de quem esteja sendo homenageado. Este ano, estou de ...

leia mais +

Qual é a última?

Como não frequento as redes sociais, não sei. As minhas informações eu as colho nas chamadas mídias alternativas, que há algum tempo não o eram. Esclareço para os menos informados: a mídia alternativa sobreviveu na época da ditadura civil-militar. Então, no período da censura braba, em que asseclas da ditadura torturavam e matavam, e a corrupção (Ponte Rio-Niteroi e etc.) corria frouxa, mas entre as paredes palacianas, sem um só zumbido, as questões mais polêmicas, dos bastidores do poder, vinham à tona através das mídias alternativas, sobretudo os jornais tabloides, como Opinião, Movimento, Pasquim, A Voz Operária, Ex, ...

leia mais +

Vamos à guerra?!

Finalmente, por curiosidade, me apossei do decreto das armas, assinado pelo capitão e também presidente Jair Messias Bolsonaro. Além dessa importante e expressiva assinatura, por se tratar de um dos altos dignitários da República, constam, ainda, como anuentes, que consagraram com o brasão de sua caneta o decreto, o ex-juiz Sérgio Moro, que, de um pulo, saiu da magistratura para ser Ministro da Justiça, com poderes extraordinários para fazer o diabo que quisesse, ainda com a promessa explícita de ser alçado a Ministro do Supremo Tribunal Federal, e mais Fernando Azevedo e OnyxLorenzoni, os quais, por serem tão ...

leia mais +

A loja e as moças

Quando a gente ultrapassa os trinta, como acontece comigo e muitos outros, surge essa história de “no meu tempo”. Pois é. No meu tempo – falava eu com um amigo -, as mulheres tinham toda a primazia. Nos ônibus e nos bondes, tinham preferência de fazer o trajeto sentadas. Disputavam essa prioridade com as pessoas notadamente mais velhas, distinguidas pelos cabelos encanecidos. No meu tempo, criança embirrava, mas não embirrava muito. Havia limites de embirramento. Os pequenos escândalos infantis, em lugares não muito apropriados, eram resolvidos com algumas educativas palmadas (ou chineladas, a dependerem do tipo de aporrinhação). ...

leia mais +

Uma conversa vaidosa

Depois que andaram dizendo por aí que iriam desinvestir nos cursos de sociologia e filosofia, com finalidade de focar em áreas que gerem “retorno “ao contribuinte, irrompeu-me a interrogação exclamativa: em que pátria amada estou?! Nós mudamos ou eles mudaram? Não houve resposta. Mas, um pouco depois, a massa cefálica deu um suspiro e questionou: será que a possível nova medida educacional tem como objetivo fomentar profissionais sem formação ideológica? É. Cá comigo mesmo, quis aceitar essa sugestão do meu inquieto cérebro. 
No caminho dessa estapafúrdia insensatez, que tem a idealização de em ministro da deseducação, deu-se ...

leia mais +