Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

Isolda – um jeito estúpido de ser outra vez

Gostaria de iniciar com um jeito estúpido de te amar. Ou esquecer de tentar esquecer. Mas prefiro fazer uma espécie de justaposição: um jeito estúpido de ser outra vez. Isolda, apenas Isolda, ficou conhecida no mundo das grandes canções como “a Compositora do Rei”. Um apelido carinhoso que homenageia a sua imensa criatividade musical. Fisicamente, morreu jovem, aos 62 anos de idade. Artisticamente, eternizou-se com a qualidade estética de suas músicas. E não precisava fazer tantas. Basta que se faça referência a Outra vez, uma espécie de Mona Lisa do cancioneiro popular brasileiro, com melodia e letra extremamente ...

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Le Brésil n’est pa um payssérieux

Faço uma descontraída leitura do livro A história do Brasil em 50 frases, cujo autor é Jaime Klintowitz. Ao mesmo TEMPO, por força da hilariedade desses dias, dou uma olhada, aqui e acolá, em outro livro – A história do Brasil vira-lata, de autoria Aurélio Schommer. Confesso que essas leituras descompromissadas têm me ajudado a ir levando, mesmo, como cantam Tom e Vinícius, com toda fama, com toda lama, a gente, não tendo outro jeito, e vai levando.
Bem, e ainda bem, que tive a felicidade rara de estar presente na belíssima homenagem prestada ao filósofo, jurista, ...

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Recado para o passado

Oh!,passado, tu teimas em não passar. E não ficar quieto lá no teu cantinho, de saudade. Vez em quando insistes em voltar. Espreita-me e flagra-me nas minhas doces recordações. Minto, corrijo, não são bem recordações, são pedaços de vida, a desfilarem com intensa vontade de retornar. Digo a mim mesmo: - O dia amanheceu igual àquele, cheio de brilho, muito vento, vento forte, a desafiar-nos a todos nós para empinar um papagaio, de papel colorido, em leque ou borboleta. Desci à Belira, na busca desse pedaço de vida, que lá se encontra nas entranhas de sua rua, da ...

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É fogo!

A grita é geral. Ensurdecedora mesmo. Os mais otimistas afirmam, do alto de suas certezas inabaláveis, que o Brasil amazônico está sendo literalmente desmatado e criminosamente incendiado. As fotos publicadas pelos jornais e obtidas por meio dos satélites mostram uma imagem de churrasqueira enraivecida. Labaredas e fumaças demonstram a força de destruição da floresta, que é considerada não o pulmão do mundo, mas a força reguladora do clima global, ao lado de outras grandes florestas tropicais. Preocupadas, as principais lideranças do mundo civilizado têm-se insurgido contra esse descalabro e, coadjuvadas pela voz da mídia, associam as queimadas à ...

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Lawfare/Fake News

O que é lawfare? E o que é fakenews? Desses dois temas já tive oportunidade de a eles referir-me. Do lawfare escrevi num dos meus textos: “Sobre lawfare, na matéria jornalística referida, é citada a cientista política Silvina Romano, que diz se tratar de um instrumento utilizado de forma indevida, sob o falso aspecto de uma legalidade, com o escopo de destruir-se a imagem pública do adversário político. Enfim, a cientista ressalta que o objetivo é fazer com que o adversário político perca o apoio popular e fique incapacitado para o exercício da atividade política. Em seguida, faz ...

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Meu personagem das férias

Fim das férias. Estamos no fim de tudo. Fim do emprego. Fim do salário. Fim do descanso aos domingos. Fim das horas extras e da periculosidade. Ainda bem, estive de férias. Antes que fossem cassadas, cansei das férias. Bem.Não é bem isso. As férias me cansaram. Voltei à labuta do cotidiano. Não resisti ficar longe desta terra, onde o sol é mais sol, as chuvas são um desafiam, e a lua parece mesmo a lua dos namorados. Lembrei-me do nosso hiperbólico cronista e teatrólogo Nelson Rodrigues, que anda um pouco esquecido, e que exortava: “O brasileiro é um ...

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“Uberização do Trabalho”

A expressão do título não é de minha autoria. É criação do sociólogo Ricardo Antunes, autor, entre outros, do livro O Privilégio da Servidão, o novo proletariado de serviços na era digital. Essa obra não a li toda, mas em partes, para tentar entender o momento cruciante vivido pela classe trabalhadora no mundo “maquínico-informacional-digital”, consoante denominação desse professor titular da cátedra de Sociologia do Trabalho da Unicamp, o qual tem produzido artigos acadêmicos e livros lançados no Brasil e no exterior, que tratam sobre as dinâmicas, contradições e opressões do “mercado de trabalho” das últimas décadas. 
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Um pouco de história... ajuda!?

Já disse aqui, nas minhas conversas (ou monólogos) semanais, citando o sociólogo Jessé Souza, autor da obra A elite do atraso, que o presente não se explica sem o passado. A história é sempre história, e nunca, por favor, estória. Num outro momento, um pouco lá atrás, Marx, o Karl, de O capital, porém em O 18 brumário, inicia esse importante trabalho, fazendo referência ao filósofo Hegel, nos seguintes termos: “Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se ...

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