Em artigo, o senador e ex-candidato a governador fala sobre o resultado das eleições e responde a críticas feitas pelo ex-governador José Reinaldo

Para quem aguardava um posicionamento do senador e ex-candidato a governador Roberto Rocha (PSDB) sobre o resultado da eleição, a espera acabou ontem com a circulação do artigo "Para quem está morrendo afogado jacaré é tronco", no qual, além de responder críticas do ex-governador e ex-candidato a senador pelo seu partido, José Reinaldo Tavares, faz revelações sobre o esforço feito para levar até o final a candidatura de governador, mesmo atropelado por um grave problema de saúde enfrentado por um de seus filhos.

Antes de se ater ao que declarou José Reinaldo em artigo publicado na imprensa, Roberto Rocha fez uma avaliação sobre o resultado da eleição. Ele ressaltou ter sido uma eleição amarga, na qual enfrentou, além de duas máquinas onipresentes na política do Maranhão, o surgimento de um novo fenômeno político nacional que contribuiu para afastar as possibilidades do PSDB surgir com chances de crescimento.
"De todos os grandes partidos, fomos o único com presença nacional que não se aliou às duas candidaturas principais. Minha candidatura, montada pelo PSDB para ajudar o palanque de Geraldo Alckmin - homem público que honra a vida nacional - representou um esforço enorme que, por conta das circunstâncias que todos conhecem, acabou num ponto cego do radar eleitoral", lembrou.
No artigo, Roberto Rocha assinala não ser daqueles que buscam culpados para as vicissitudes da política. Diz compreender as lições da vida e que o importante é seguir em frente. "Por isso estranhei quando o ex-governador José Reinaldo, de posse dos resultados eleitorais, apontou um único culpado pela derrota de seu pleito. E esse culpado seria eu!".
O senador e ex-candidato a governador revela que os mais próximos, incluindo  Zé Reinaldo, sabiam que ele só tinha a candidatura registrada e que por conta das circunstâncias ficou a maior parte do tempo com a família por causa do grave problema de saúde do filho, que faz quimioterapia em São Paulo.
"Ele (Zé Reinaldo) sabe que bem no início da campanha meu filho teve agravado seu estado de saúde. Sabe que naquele momento só não retirei oficialmente a candidatura para não ser acusado de estar a serviço do adversário. Sabe que os poucos programas que gravei eram frequentemente repetidos, e que no final foi contratada uma atriz porque não conseguia mais gravar. Ele sabe que esperei, em casa, a única oportunidade de estabelecer o contraste, a diferença, entre os candidatos a governador, que foi o debate da Globo/Mirante. Nunca fui a uma reunião com nossa equipe para me preparar para esse debate, que foi o primeiro da minha vida. E foram feitas quase 10 reuniões", declarou Roberto.
O senador prosseguiu dizendo que na campanha teve de ficar em casa "vivendo os dias mais difíceis da minha vida, à beira de uma depressão, bebendo para dormir e acordando para beber. Uns preferem se drogar, outros se suicidar, a minha fuga da realidade era dormir. Nunca chorei tanto em minha vida, mas escondido".
Em outro trecho do artigo, Roberto Rocha assinala não ser tarefa fácil para um pai parecer forte diante da enfermidade grave de um filho. "Eu pensava que era um homem forte, mas agora eu conheço minhas maiores fraquezas, meus limites".
Feitas tais revelações de foro íntimo, Roberto Rocha questiona: "Então agora, com os resultados conhecidos, o culpado pela derrota do ex-governador e do PSDB foi Roberto Rocha? Decerto ele sabia, desde o início, do tsunami eleitoral que varreria o pleito. Decerto sabia que ainda assim, a bordo do PSDB, teria a única chance de vitória. Ele diz que foi uma exceção, num deserto de ideias. Que foi o único que discutiu propostas para o Maranhão. Pois é. Durma-se com um barulho desse".
Roberto Rocha lembra que foi ele o único a oferecer a José Reinaldo a única chance de competir por um partido com tempo de televisão e fundo eleitoral. "Não fui eu quem prestigiou a sua chegada ao PSDB com a presença em meu gabinete de lideranças nacionais do partido?".
O senador ressalta a ingratidão de José Reinaldo, destacando o trecho do artigo onde ele lhe ataca e guarda elogios ao atual governador, que na sua avaliação de forma infame o escorraçou, e "guarda silêncio a quem com tanto sacrifício, Madeira e Alckmin, lhe dispensaram todas as honras para viabilizar a sua candidatura. Seria para agradar o governo comunista, e conseguir no próximo ano um emprego, será que precisa ser tão medíocre?", questiona.
O ex-candidato a governador ressalta ainda o esforço interno feito por ele para garantir a candidatura de José Reinaldo, uma vez que a vaga também era pleiteada pelo deputado Waldir Maranhão, que já tinha o apoio de quase todo o partido. Lembrou ainda de mais "mimo partidário" direcionado a José Reinaldo Tavares: foi o único que recebeu 100% da verba do fundo eleitoral e que mesmo assim sequer na sua campanha no Rádio e na TV e nos impressos citava os nomes dos candidatos a governador e presidente da República do partido que financiava sua campanha.
Para ilustrar sua reação às críticas do ex-governador José Reinaldo, Roberto Rocha lança mão ainda do poema "Versos Íntimos", de Augusto dos Anjo, que em um dos trechos ressalta que "A mão que afaga é a mesma que apedreja", ao comparar a ingratidão a uma pantera.
"Termino mais uma vez lembrando o poeta. "Ninguém assistiu ao formidável enterro de tua última quimera. Somente a ingratidão, esta pantera, foi tua companheira inseparável e meu saudoso pai me ensinou: "Em rio que tem piranha, jacaré nada de costas". E eu completo: Para quem está morrendo afogado, jacaré é tronco".